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28 de Junho, Dia Mundial do Diversidade LGBTQ-A: letra A de Canadá

 

Dia 28 de junho comemora-se o dia internacional da diversidade e do orgulho LGBTQ, acrônimo para Lésbicas, Gays, Bisexuais, Transexuais, Queers e Heterosexuais Aliados. Ou seja, se você é HETERO faz parte do mundo civilizado, este também é seu dia. O Canadá oficializou a letra “A” no acrônimo, pois nem sempre é fácil ser heterosexual e Aliado à causa de uma minoria e defendé-la, se atacada. Assim, os canadenses LGBTQ reconheceram a importância e o orgulho de ser “Aliado”.

Nesta data comemora-se o chamado “Levante de Stonewall“.


Em 28 de junho de 1969, um bar em Nova York chamado Stonewall (que existe até hoje), freqüentado por gays, sofreu mais uma das costumeiras batidas da policia e várias pessoas foram presas pelo simples fato de estarem no bar “cometendo atods indecentes e contra a moral Nova Iorquina“.

Pois bem. Só que desta vez, os “infratores” resolveram reagir e se entrincheiraram no bar, nāo permitindo a policia entrar. Em uma verdadeira cena de guerra, reforços foram chamados e os freqüentadores do bar espancados.

O que a policia nāo contava era que a comunidade gay do Greenwich Village, (famoso bairro de artistas e boêmios da cidade) ao saber do ocorrido, juntou-se a seus pares feridos dentro do estabelecimento.

Aos poucos, que era uma resistência em um bar, alastrou-se para as ruas e trincheiras com sacos de cimento foram erguidas para impedir a policia de entrar no bairro. O massacre entāo tomou proporções vergonhosas e a populaçāo de nova Iorque (que elege os delegados de policia), passou a cobrar a retirada imediata dos homens armados do Greenwich.

Os protestos aumentaram. A violência também. Diante de tamanha barbárie, o governo municipal tomou para si a situaçāo e o chefe de policia foi exonerado, os gays indenizados e a governo veio a público para oficialmente se desculpar com a populaçāo em geral “tomados de vergonha“.

A partir daí, todo dia 28 de junho celebra-se o DIA DO ORGULHO LGBTQ ao redor do mundo.

A mesma situaçāo ocorreu no Canadá, em Toronto, nos anos 70, mas a revolta se deu a partir de uma batida policial em uma Sauna.

Primeiro Ministro do Canadá e filho na parada 2016

O mesmo pedido de desculpas se fez ecoar no Canadá.

Atualmente, o dia do Orgulho é uma das datas mais comemoradas em todo o Canadá, e se tornou uma festa familiar: pais com suas crianças,jovens,idosos, casais LGBTQ e heteros Aliados marcham nas paradas do orgulho em todo o país.

A police officer is sprayed by parade goers during the WorldPride Parade in Toronto, Ontario June 29, 2014. The parade, which is the culmination of WorldPride 2014, attracts over a million people. THE CANADIAN PRESS/Kevin Van Paassen

Pelo segundo ano consecutivo, o Primeiro Ministro canadense, Justin Trudeau (o homem mais importante do país) marchou na Parada de Toronto, dia 28 de junho. A data tomou tanta importância que passou-se a comemorar junho inteiro como o MES DO ORGULHO. Empresas de peso aderiram às festividades e exibem suas marcas com orgulho nas paradas no Canadá e EUA, tais como a Coca-Cola, Nke, Adidas, Facebook, Apple, Citibank, Microsoft, Starbucks, Heineken, UFC, Fairmont Hotels, Policia do Canadá, Forças Armadas canadenses e americanas (policia e FFAA desfilam uniformizadas), Greenpeace, BankBoston entre muitos outras.

Louis Sanchez, left, and Kyle Hoban kiss in front of the Stonewall Inn while watching the NYC Pride Parade in New York, Sunday, June 26, 2016. With a moment of silence followed by the roar of motorcycles, New York City’s gay pride parade kicked off Sunday, a celebration of barriers breached and a remembrance of the lives lost in the massacre at the gay nightclub in Orlando. (AP Photo/Seth Wenig)

Em Victoria, BC, a parada este ano será dia 09/julho.

Disponibilizamos fotos históricas de 28 de junho de 1969 em Nova York e da Pride deste ano em Toronto.

E para você… HAPPY PRIDE !


Alberto Escosteguy

Diversidade: A grande vantagem do Canadá

Como dissemos no post anterior, a segurança é algo que por si só já me faria escolher o Canadá para viver. Saber que seu filho vai à escola sozinho e volta sozinho e se ele se atrasar nāo é porque foi assaltado, agredido ou coisa pior. Deve estar na casa dos amiguinhos. e você sabe disso. Essas coisas nāo se mesuram em números: elas constroem o que se chama felicidade.

Porém, além da segurança, o respeito à diversidade é algo que também me faria escolher o Canadá. Aproveitando que junho é o mês do Orgulho LGBTQ-A (Lésbicas, Gays, Bisexuais, Trans*, Queer e Aliados (Heteros que apóiam a igualdade no mundo (civilizado) inteiro)), resolvi dedicar um post a este tema.

Quando se fala em diversidade, logo vem à mente a questāo LGBTQ-A, Sim, isso é verdade. O Canadá é sem nenhuma dúvida o MELHOR país do planeta para os LGBTQ-A. Em nenhum outro lugar seus direitos sāo tāo respeitados e levados tāo a sério quanto aqui. Só no Canada (e na Holanda em ALGUNS anos apenas) a P-FLAG (aquela bandeira de arco-iris) é hasteada no parlamento federal e em todas as autarquias públicas do país. É o único lugar onde as maiores universidades e umas das melhores do mundo, como a University of Toronto, exibe a P-Flag durante todo mês de junho em sua reitoria e nos campi onde há atividades esportivas. É o único país onde duas pessoas do mesmo sexo podem imigrar como família, MESMO NENHUMA DELAS SENDO CANADENSE.

Sim, isso tudo é verdade.

Mas se você passou por este post e pensou: “ah, que legal, mas nāo é meu caso”.

Aconselho você botar as barbinhas de molho e ler este post, pois TAMBÉM é seu caso.

Por uma única razāo: você é o que se chama no Canadá de MINORIA VISÍVEL. Isto é, sua diferença em relaçāo à maioria da populaçāo é… visível. Seja por você nāo ser branco (Isso mesmo! A nāo ser que você seja das colônias européias do sul do Brasil e seus pais falem dialeto vêneto, polonês ou alemāo com você em casa, sinto muito, mas no hemisfério norte você NĀO é branco), seja por você falar inglês e/ou francês com um sotaque fortíssimo, seja por que razāo for.

VOCÊ É BENEFICIADO PELO RESPEITO À DIVERSIDADE. E ISSO TE DIZ RESPEITO. Nem que seja por você, no Canadá, ser um “gringo”.

A diversidade é uma questāo muito séria neste país. Racismo é algo que a populaçāo (e a polícia !) tem ZERO tolerância. Tente falar mal em público de muçulmanos, negros, latinos, gays etc. Você terá o privilégio de conhecer a outra face do canadense: a INTOLERÂNCIA à babaquice.

Em qualquer oferta de emprego, os grupos de minorias visíveis sāo muito encorajados a se candidatar. Na universidade há bolsas de estudos voltadas exclusivamente às minorias visíveis, incluindo os LGBTQ.

Qualquer mençāo a sua raça, religiāo, orientaçāo sexual, cor e deficiência física ou mental que tenha te ofendido é levado muito a sério em sua empresa, no seu condomínio, na rua ou em qualquer lugar. A puniçāo é rápida e eficiente.

Um bom exemplo foi uma mulher caucasiana que, esta semana, (junho/2017), perto de Toronto, esbravejou na recepçāo de uma clínica médica que queria um “médico branco que falasse inglês” para atender seu filho. Um canadense indignado filmou a cena. Na filmagem vê-se o espanto das pessoas, incrédulas. Até que outra mulher se aproxima e diz: “o problema nāo é o médico. O problema é você e seu filho, coitado, que tem uma mãe dessas. Você vai é para a cadeia, isso sim”. Rapidamente a mulher racista, que nāo é boba… sumiu.

Este é o Canadá. E viva a diversidade!


Alberto Escosteguy

Aprenda uma receita tipicamente canadense

O MONDO BLU traz hoje para vocês uma receita tipicamente canadense, panquecas matinais com Maple Syrup, o famoso xarope de bordo, retirado dos troncos de árvores típicas do Canadá, aquelas que têm a folhinha característica da bandeira do país…


Bem pequena quando provei pela primeira vez o sabor desse xarope em terras americanas. Como era bom acordar e sentir o gostinho daquelas panquecas superfofinhas envolvidas por aquele líquido dourado e doce. Acho que foi aí que comecei a gostar de culinária. As panquecas, consegui reproduzi-las fielmente, anos mais tarde. Mas o tal xarope sempre era substituído, pois não tinha como adquiri-lo por aqui. Sempre trouxe algum vidrinho na bagagem, quando voltava àquela região. Amigos viajantes costumavam me presentear com maple syrup, pois sabiam o quanto aprecio o produto. Atualmente disponível no comércio nacional, fazer e experimentar novas receitas ficou mais fácil e posso afirmar que substituir o tradicional açúcar branco ou o mel pelo xarope de maple tem me proporcionado boas surpresas na cozinha.

O maple syrup é feito da seiva de uma árvore que no Brasil é chamada de bordo. Árvore típica do Canadá e símbolo desse país, o bordo necessita das baixas temperaturas do inverno para armazenar amido em seu tronco. Com a chegada da primavera, o amido é transformado em sacarose líquida dentro do vegetal. Para recolher tal líquido os produtores fincam bicos nas árvores e deixam escorrer a seiva, que é aparada em baldes também acoplados aos troncos. A produção continua por todo o verão e é finalizada com a chegada do frio. Os primeiros baldes da primavera produzem os melhores xaropes. Diferenciadas por grades, a cor e a textura do xarope determinam sua utilização. Os mais clarinhos e de sabor suave são indicados para ir levar direto à mesa. Os mais escuros e densos são indicados para culinária de forno e fogão.

O syrup é obtido pela técnica da redução, concentração e evaporação. Totalmente natural, são necessários 150 litros de seiva para se conseguirem quatro litros de xarope. O puro maple syrup, diferentemente do açúcar retirado da cana, contem minerais, como magnésio e potássio em sua composição. O que é uma grande vantagem na hora de se utilizar o produto. A grande maioria da produção é canadense. Entretanto, no Nordeste dos Estados Unidos, na região de Vermont e por todo o estado do Maine encontra-se uma considerável plantação de bordo para produção do xarope.

Nos cardápios canadenses e americanos é muito comum encontrarmos carnes de porco e frango caramelizadas com maple syrup. Bolos e bolinhos como muffins, biscoitos de várias espécies, musses, geleias, molhos, sorvetes, pudins e tortas ganham sabor com o ingrediente. Já fiz redução de vinagre balsâmico com o xarope para temperar saladas e o resultado foi surpreendente. Já substituí o mel naquele tradicional molho de mostarda para acompanhar salmão e, da mesma forma, fiquei bastante satisfeita. Os precinhos por aqui não são nada doces, mas vale a pena a aquisição. Para começar, uma simples panqueca poderá encantar. Mas não economize na criatividade quando for utilizar o produto.

*Formada em Jornalismo pela Puc-Minas e em Gastronomia pela Estácio de Sá

 

Panquecas com maple syrup

Ingredientes

1 e ½ xícara de chá de farinha de trigo, 2 xícaras de chá de leite integral

2 colheres de sopa de manteiga derretida, 1 colher de chá de fermento em pó, Manteiga para untar e 1 vidro de xarope de maple

Modo de preparo

Bata no liquidificador o leite, a farinha, a manteiga e o fermento. Leve à geladeira por uma hora. Aqueça uma frigideira antiaderente e pincele-a com manteiga. Coloque uma concha da massa bem no centro da panela. Frite por um minuto. Vire a panqueca com o auxílio de uma espátula e frite por mais um minuto. Repita esse procedimento até terminar toda a massa. Sirva com o xarope de maple.


Por Patricia Crespo, para o UAI, em 2014 – LINK ORIGINAL

Que Tipo de Gente Largaria Tudo Para Viajar?

Resposta Rápida: Você.

Brincadeiras à parte, esta pergunta é inevitável quando ouvimos histórias de nômades digitais que decidiram fazer um blog e sair pelo mundo. Há algum tempo atrás, a imagem desse cara era quase uma unanimidade: um cara solteiro, barbudāo, cabelāo de drag, tatuado, fumando maconha à beira da estrada, com uma mochila surrada e pedindo carona. Que coisa mais anos 60 e 70 !

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Se você ainda tem era imagem quando falamos de nômades digitais ou você já passou dos 50 ou vive no seu próprio mundo (nada errado com nenhuma das duas alternativas, ok?).

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A desconstruçāo desta imagem caricata começa pelo nome: nômade DIGITAL. O barbudāo provavelmente acharia que a internet é uma ferramenta de controle das massas vigiada por alguns milionários donos do capital. Já um nômade digital pode ser socialista, capitalista, comunista, ateu, espírita, adepto da seita dos deuses de cabeça azul… o que for. Mas uma coisa que ele nāo é , com certeza: avesso à tecnologia e aos avanços da sociedade contemporânea.

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Outra diferença é que muitos nômades digitais, ao menos no ramo do turismo, gostam, sim, de lucros e dividendos. Eles apenas decidiram nāo ter mais um patrāo e, como sāo pessoas amantes de viagens, escolheram… viajar!  A diferença aqui é que eles trocaram o escritório com ar-condicionado, terno e gravata, (e as mulheres salto alto desconfortável) e reuniões estressantes por lugares menos convencionais. Mas atençāo! Essa lenda urbana de que nós trabalhamos na praia, em um barquinho na paz do oceano ou coisas do tipo, na maioria dos casos, é só LENDA mesmo. A começar que areia e água, acredito eu, nāo sāo muito bons para a saúde do seu computador, smartphone ou tablet. Além disso, as probabilidades termos bons índices de produtividade trabalhando na praia ou durante o concerto do Guns ‘n’ Roses sāo de muito baixos a zero.

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Portanto, o lugar de trabalho do nômade digital sāo os chamados co-working spaces ( já falamos deles em post anterior) que sāo cafés ou espaços especialmente feitos – ou com toda estrutura para – a boa produçāo de trabalho de um nômade digital. Entre outras características, está uma rede wifi muito boa, pois nem todos nós nômades sāo apenas blogueiros de viagem. Muitos têm empregos e trabalhos que nada têm a ver com turismo, tais como programadores e desenvolvedores de games e até arquitetos, o que requer excelente conexão com a internet e relativo silêncio. Assim, aquele papo de largar o escritório para trabalhar em um quiosque à beira da praia ou a beira da piscina com gatas semi-nuas… é só papo mesmo. E nāo se engane: o ritmo e a quantidade de trabalho nāo é menor nem mais leve do que a do engravatadinho. Às vezes pode até ser maior. Além do mais, você precisa ter uma organização do tempo e disciplina de produçāo muito maiores do que o cara que vai para o escritório todos os dias.

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Meu sócio, por exemplo, nāo trabalha fim de semana e feriados. Nada mais justo. O papel dele na sociedade é no back office, organizando, publicando, fazendo contato com mídia etc. E olha que de engravadinho ele nāo tem nada! Já eu, neste momento, estou me preparando para ir para uma cidade no Pacífico na costa oeste canadense amanha de manhā. E agora sā 22:20 e eu estou aqui escrevendo em um co-working space em Calgary, preocupado com a hora que o espaço vai fechar (daqui a meia hora), arrumar minha mala e, ao mesmo tempo, ainda manter boa produçāo e de qualidade. Amanhā, às 6:30 da manhā, eu provavelmente estarei escrevendo de novo, e no aviāo talvez também. Por que? Porque no meu caso, nāo sou eu que escolho a hora de trabalhar. O trabalho que escolhe a hora de eu produzir. Se vejo algo interessante, se tenho um insight de um post que poderia ser interessante (como tive agora), nāo posso pedir para minha secretária agendar uma reuniāo para amanha a fim de discutir uma ideia que tive ou algo do tipo. Nāo há secretária. Nāo há reuniāo (muitos nômades até agendam reuniões por Skype, quando o projeto cresce muito).

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Eu tenho que escrever e fotografar onde eu estiver e a hora que for, pois este é o grande diferencial de um site de viagens. Caso contrário, para que você estaria lendo esses posts? Bastaria você ir ao Google. Mas o Google nāo tem insights às 3 da manhā e compartilha com você.

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Entāo, para finalizar e responder com mais profundidade a pergunta quem larga tudo para viajar? Qualquer um! Você, seu vizinho. seu professor de matemática que tirou sua prova porque te viu colando, a moça que trabalha na sua casa, o amigo do seu filho que você achava que era maconheiro mas verdade era um gênio da informática, o namorado da sua filha que você nem sabia que existia, o porteiro, o cara que escuta hip hop no andar de cima às 10 da noite a todo volume, o gerente do seu banco, o diretor aposentado…enfim. Qualquer um.

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Até eu. E olha que eu nem sou barbudāo nem tenho mochila surrada.


Alberto Escosteguy

Largar tudo e viajar: por que e como? Uma Meta-postagem

Mikonos, Grécia, 2016

As duas perguntas que mais ouço sāo por que eu larguei tudo e decidi ser blogueiro de viagem e como funciona. Bem, se você tem acompanhado nossos posts e está lendo este agora é porque, de alguma forma, há certa identificaçāo com o tema, nem que seja mera curiosidade. Resolvi, entāo, discorrer brevemente sobre o assunto, em uma meta postagem, como diriam os linguistas (meta= falar sobre ou estudar a si próprio).

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As principais indagações que me chegam quando comento que larguei tudo para viajar sāo: “por que?” (e esta é fácil de responder) e “como você faz isso?”

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Vamos tentar responder. Assim como para o “filósofo ser filósofo” é crucial e indispensável que ele tenha tido o chamado “Thauma filosófico” ( o “έκπληξη“), no qual tudo a sua volta passa a ser espantoso, maravilhoso e,sobretudo, lógico. A folha que cai no outono, a brisa no rosto, as perguntas do filho pequeno, o cachorro feliz ao lhe ver, enfim, tudo parece espantoso e merecedor de investigaçāo e observaçāo. Nada mais deixa de ter importância e, como já mencionei, tudo lhe parece muito lógico. A filosofia, como ciência essencialmente matemática, busca a lógica e a explicaçāo para tudo. Até mesmo para o que nāo podemos ver, como tāo bem discorreu Platāo em sua teoria do “mundo das ideias”. Talvez esta tenha sido a razāo de eu ter cursado filosofia na universidade antes de me decidir pela psicologia.

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Pois bem, o viajante passa pelo mesmo processo. Nada mais para ele parece ser naturalizado, usando uma terminologia da psicologia social. Tudo a sua volta merece explicaçāo e investigaçāo. No caso do viajante, porém, adiciona-se um toque de antropologia cultural (caso contrário, nāo haveria a necessidade imperativa de viajar), no qual a cultura passa a ser protagonista. Por exemplo, perguntas como “até que ponto a colonizaçāo de exploraçāo portuguesa realmente influencia a índole e os traços do povo brasileiro?” passam a ser a bússola para novos destinos. O espanto (Thauma) de perceber a sua volta os mesmos padrões se repetindo, aliados a um enorme interesse de conhecer mais sobre determinado tema, o impulsiona a conhecer outros lugares e faz com que o desejo de viajar passe a ser quase como que incontrolável.

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Tomando como exemplo um desses viajantes, ao partir pelo Brasil, em busca de respostas, ele passa a se interessar por aspectos que o turista dificilmente atentaria, como por exemplo, se espantar com um senhor já idoso sentado em uma cadeira de balanço ao lado da porta entreaberta de um casarāo que pela sua simples existência nos dá uma aula de história ao lermos o escrito marcado na parede, ao lado: Século XVII A.D.. O turista acharia interessante, talvez valesse uma foto ou uma selfie e seguiria seu caminho. O viajante se detém ali, observa a cena e começa a se perguntar até que ponto a história da casa influenciaria seu atual inquilino ou vice-versa. Ele vai até o senhor ali sentado (além de tirar a mesma fotografia do turista, claro. Já a selfie...enfim.) e puxa conversa, sentando na calçada ao lado do morador. Em pouco tempo, o viajante já descobriu que a família de Seu Juliano, ou “o Comendador”, como era conhecido, mora ali desde incontáveis geraçōes passadas e após algum tempo ali sentado, o viajante acaba por ser convidado para entrar e tomar um cafezinho para “entreter a prosa”. E nesta prosa, as perguntas que o levaram para a estrada aos poucos começam a ser respondidas.

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Este exemplo é real. Este viajante sou eu. E a casa está às margens do Velho Chico, no interior de Alagoas. Assim, foi desta forma que este viajante percebeu que nāo teria mais como voltar para sua cidade e repetir a mesma rotina todos os dias, pois as perguntas nāo seriam mais respondidas. O Thauma nāo seria satisfeito.

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Passemos à outra pergunta que sempre escuto, aquela do “como você faz isso?”. Uma das formas de responder a esta questāo é você acompanhar nossas postagens e divulgá-las. A partir daí, a dinâmica do nômade digital se completa. Ou seja, sem você, que nos lê agora, o viajante nāo existe, mas esta prosa nos levaria a terremos lacanianos e nāo é isso que queremos! Portanto, é necessário uma parceria e cumplicidade entre aquele que se espantou de tal forma que somente a observaçāo participante (a viagem) poderia trazer alguma resposta ao viajante, com aquele outro que nāo se espanta com a folha que cai no outono mas acha fascinante a ideia de que alguém se espante com isso e tem vontade de descobrir como é tal experiência. Contudo, ele nāo necessita da observaçāo participativa. A leitura e as conversar com quem viaja lhe sacia muitas dúvidas. Talvez ele tenha até mesmo planos de fazer o mesmo por alguns meses, ou durante um fim de semana prolongado ou quem sabe quando se aposentar.

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Talvez, ainda, ele queira que sua filha, ainda pequena, saiba que o mundo nāo é simplesmente ver uma folha caída no chāo em uma tarde de outono e pisar nela ao passar, mas , antes, se perguntar como ela foi parar ali. Mesmo que para isso, nāo seja necessário tornar-se botânica.

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Mas nāo é só isso. É primordial um outro parceiro, alguém em quem se possa confias sem reservas, alguém que você admire e sabe que é mais centrado e mais responsável que você. Alguém que possa que puxar a orelha e até bater na mesa e gritar com você, porque você se espanta tanto com as coisas que esquece das regras ortográficas ao postar seus textos ou resolve ir a um país sem passagem de volta e é deportado. Esta pessoa é fundameantal para o projeto existir. Ele é seu superego, se quisermos uma terminologia freudiana, é a pessoa que faz as coisas acontecerem. Normalmente ele é responsável pela parte técnica do website, da divulgaçāo e das diretrizes do projeto, tais como que destino escolher a partir da audiência que estamos tendo e que tipo de matéria produzir.

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No caso do Mondo Blu este profissional é o Luciano Boiteux que, apesar do nome chique, é uma pessoa maravilhosa e na qual eu confio para assuntos blogueiros e extra-blogueiros. Se o viajante nāo tem este parceiro, é bem provável que o projeto nāo aconteça.

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De forma resumida, estas são as respostas de por que alguém largaria tudo para viajar e como funciona o processo. Encerrando, convidamos-lhe a continuar viajando conosco e, quem sabe, a partir de hoje, procurar observar um pouco mais as folhas caindo ou a brisa que acaricia seu rosto.


Alberto Escosteguy