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Breve viagem à Ásia

Começamos nossa jornada ao sudeste asiático de uma forma, digamos…intensa. Partindo de Vancouver, onde moro, peguei um vôo com conexões em Taiwan e Manila. De Manila segui para Singapura, o que no total levou pouco mais de 25 horas. Além do longo tempo de viagem, pesa o fato de eu cruzado a linha de mudança de data. Portanto, o que seriam 25 horas, fez com que eu chegasse em Singapura 3 dias depois.

Cansado e sem paciência para imigração, assim que o oficial me chamou, nossa conversa se deu da seguinte forma:

Oficial: Boa noite.
Eu: Oi.
Oficial: onde você mora?
Eu: Canadá.
Oficial: que cidade?
Eu: Vancouver.
Oficial: quanto tempo ficará em Singapura?
Eu: uns 20 ou 30 dias.
Oficial: (levantando as sobrancelhas): mesmo? Quanto dinheiro você tem aí?
Eu: comigo aqui? Nada. Mas tenho cartão de credito.
Oficial: Como você vai pegar ônibus, metro, comer algo rápido?
Eu: boa pergunta!
Oficial: onde está sua passagem de saída de Singapura?
Eu: ah, eu não tenho.
Oficial: …

Depois disso fui levado a uma sala para nova entrevista, onde acabei tirando foto igual um presidiário (aquelas que você fica encostado em uma parede como nos filmes de TV) e soube que eu não seria permitido entrar em Singapura. Três horas depois eu estava em um avião de volta à Manila, nas Filipinas, sem meu passaporte e meu Green Card canadense, os quais receberia quando chegasse… no Canada!

ATENÇÃO! Se você não possui residência permanente na Europa, EUA ou Canadá, desaconselho fortemente você fazer essas “traquinagens” na imigração. Eu sabia que que tinha um governo forte, respeitado no mundo todo que me acolheria e me representaria onde quer que fosse. E eles também sabiam. Resultado: não fizeram NENHUMA anotação no meu passaporte, e posso voltar à Ásia amanhã, se quiser.
Conselho: TENHA UMA ATITUDE EXTREMAMENTE RESPEITOSA NA IMIGRAÇÃO, TENHA PASSAGEM DE VOLTA, DINHEIRO VIVO, MESMO QUE POUCO, ALÉM DE CARTÃO(OES) DE CREDITO(S).


Alberto Escosteguy

Adeus à Asia

“mas você não se sente sozinho?”

Final do terceiro dia e chega a notícia que eu voltaria ao Canadá em um vôo direto para Vancouver. Sensação estranha que deu. Algo com estar triste de deixar bons amigos que eu havia feito em Manila. Todos me abraçaram, trocamos facebook e nos prometemos visitar. Essas promessas de um retorno que não acontecerá é parte do processo do viajante. Por mais que sejamos nômades e vivamos na estrada, também nos apegamos. E ao prometermos que nos veremos de novo, é tal como um elo que não se quebra. Um elo que não precisa de corpo para existir. O viajante sempre está com seus amigos na estrada. Sempre que você pensar em alguém que conheceu pelo caminho, pense com carinho, com amor, sorria sozinho, olhe para cima e mande seu amor para eles. Pode ter certeza que eles entenderão e receberão. Com a prática, você passa a receber o mesmo deles e algo como “fulano está pensando em mim” passa a ser algo trivial. Esta é a resposta para a pergunta que sempre fazem ao viajante: “mas você não se sente sozinho?” . Nós nunca estamos sozinhos. Nunca.

É hora de seguir em frente. Hora de mais um capítulo a ser escrito, mais uma estrada a trilhar, mais sorrisos, mais lágrimas, mais amor. É hora de viajar de novo.

Adeus, Ásia. Eu faria tudo de novo.


Alberto Escosteguy

Mestres

Terceiro dia na “prisão” em Manila e cada dia ficava mais interessante. Decidimos que todos deveriam ter direito a comer decentemente. Conversamos com as funcionárias e eu e os alemães passamos comprar Mc Donald´s para todos (OK, eu sei que eu disse que iríamos comer decentemente. Ah! Dá um desconto, não seja tão chato! haha).

O exercício aqui era não se sentir o “salvador” de nada nem “melhor” que ninguém. Os alemães ajudavam muito. A mãe, durante uma refeição, olhando para uma das pessoas que comia com bastante avidez, falou bem pausadamente para mim: “você acha que estamos fazendo alguma coisa? Eles é que estão. Nós os alimentamos o físico. Eles nos alimentam a alma. Eles são nossos Mestres”.


Alberto Escosteguy

“Todos são criados iguais. Mas uns são mais iguais que outros”

No segundo dia na “sala de exclusão” eu comecei a entender que “todos os animais são criados iguais. Mas uns são mais iguais que outros”. Os funcionários e mesmo os policiais estavam tratando, tanto eu quanto a família alemã como “popstars”. Para começar, eu tinha certeza que a polícia iria chegar furiosa com aquela cantoria toda e incensos acesos. Eles vieram realmente. Mas ficaram calados e, após algum tempo, saíram. Os filipinos estavam começando a me ensinar a viver.

Na noite do segundo dia, fui convidado para jantar! Isso mesmo! Eu perguntei se isso era padrão e a resposta foi: “ah, mas você é canadense”.

Fiquei muito triste com isso, Percebi que um pedaço de papel pode designar quem somos ou o que somos e pode inclusive tomar nosso lugar no mundo. O pedaço de papel vale mais do que o olhar. Mais do que a dor de um homem que, se voltar para seu país de origem, sabe lá o que acontecerá. Um pedaço de papel é mais importante que uma pessoa inteira. Algo deu muito errado nessa nossa sociedade. Os alemães se recusaram a toda e qualquer diferença de tratamento e escolheram dormir no chão e dividir toda a comida com todos.

Quanto a mim, percebi que havia ainda muito a aprender. Eu não sabia de nada da vida. Nada…


Alberto Escosteguy

Próximo destino: Sudeste Asiático

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Sairei do Rio de Janeiro, Copacabana Beach, em 24 de abril, voando para Toronto para cuidar de algumas pendências e visitar os amigos. Chego à cidade em 25/4 e no dia 01 de maio sigo para Singapura (layover de 15 horas em São Francisco – aproveitando para postar coisas legais para vocês. Já morei lá e conheço bem a cidade). No dia 03 de maio (sempre se perde um dia nesse trajeto, por causa dos fusos horários) chego a Singapura, onde passarei um mês, antes de seguir para a ilha de Bali (veja o programa da viagem) e algumas ilhas nas Filipinas.