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Adeus à Asia

“mas você não se sente sozinho?”

Final do terceiro dia e chega a notícia que eu voltaria ao Canadá em um vôo direto para Vancouver. Sensação estranha que deu. Algo com estar triste de deixar bons amigos que eu havia feito em Manila. Todos me abraçaram, trocamos facebook e nos prometemos visitar. Essas promessas de um retorno que não acontecerá é parte do processo do viajante. Por mais que sejamos nômades e vivamos na estrada, também nos apegamos. E ao prometermos que nos veremos de novo, é tal como um elo que não se quebra. Um elo que não precisa de corpo para existir. O viajante sempre está com seus amigos na estrada. Sempre que você pensar em alguém que conheceu pelo caminho, pense com carinho, com amor, sorria sozinho, olhe para cima e mande seu amor para eles. Pode ter certeza que eles entenderão e receberão. Com a prática, você passa a receber o mesmo deles e algo como “fulano está pensando em mim” passa a ser algo trivial. Esta é a resposta para a pergunta que sempre fazem ao viajante: “mas você não se sente sozinho?” . Nós nunca estamos sozinhos. Nunca.

É hora de seguir em frente. Hora de mais um capítulo a ser escrito, mais uma estrada a trilhar, mais sorrisos, mais lágrimas, mais amor. É hora de viajar de novo.

Adeus, Ásia. Eu faria tudo de novo.


Alberto Escosteguy

Mestres

Terceiro dia na “prisão” em Manila e cada dia ficava mais interessante. Decidimos que todos deveriam ter direito a comer decentemente. Conversamos com as funcionárias e eu e os alemães passamos comprar Mc Donald´s para todos (OK, eu sei que eu disse que iríamos comer decentemente. Ah! Dá um desconto, não seja tão chato! haha).

O exercício aqui era não se sentir o “salvador” de nada nem “melhor” que ninguém. Os alemães ajudavam muito. A mãe, durante uma refeição, olhando para uma das pessoas que comia com bastante avidez, falou bem pausadamente para mim: “você acha que estamos fazendo alguma coisa? Eles é que estão. Nós os alimentamos o físico. Eles nos alimentam a alma. Eles são nossos Mestres”.


Alberto Escosteguy

Após a tempestade, vem a bonanza

Alberto Escosteguy viajou para o Canadá, e de lá rumou para Singapura, fazendo escala em Manila, conforme noticiamos aqui no MONDO BLU há alguns dias. Não conseguiu, porém, entrar em Singapura. Teve a entrada negada e permaneceu detido na imigração por 6 horas, e esperando por 3 dias, até ser enviado de volta ao Canadá.

A princípio não entendeu o motivo da detenção, mas após pensar um pouco, teve a certeza de que a sua maneira de viajar foi determinante para a negativa de entrada. Não tinha uma passagem de volta e nem um centavo do dinheiro local. E também não sabia exatamente qual rumo seguiria a partir da entrada em Singapura.

Fica a dica: não faça o que Alberto fez!

Alberto é, antes de tudo, um aventureiro, e como tal, resolveu viver intensamente o momento. Não optou por ficar em um quarto (10 dólares a diária), preferindo conviver com outras pessoas na mesma situação e documentar o que via. Uma família alemã, outra africana… Filmou, fotografou (mostraremos em outro post), enfim, pôde entender como “a coisa” funciona.

Voltou para Vancouver, sua base operacional, e após receber convites para ir para Singapura (ficou amigo do oficial da imigração e sabe que não há nenhuma anotação que o impeça de voltar), Bali e para o norte do Canadá, se voluntariar em um criadouro de cães de trenó, aprender a adestrá-los e a manusear um trenó de corrida.

Assistir novamente (Alberto já teve essa experiência) ao sol da meia noite e ao dia de 24 horas é um convite irrecusável?

Acho que sim…


Luciano Boiteux