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De volta ao “Volunturismo” – Regra de Ouro: Jamais Feche Portas Que se Abriram Para Você

Após a linda viagem sobrevoando os picos nevados das montanhas rochosas, voltei a British Columbia (BC), no extremo oeste do Canadá, desta vez para Victoria, na Ilha de Vancouver.

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Eu já havia morado alguns meses aqui e, pessoalmente, acredito ser esta a melhor cidade do país para se morar, tanto é que voltei. Falaremos as razões em posts futuros.

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Meu retorno se deu por duas razões: eu adoro a costa oeste e o dinheiro estava acabando.

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Isto significava ter que voltar a trabalhar em algum lugar a fim de juntar mais dólares para poder botar o pé na estrada de novo. Esta é a vida de um blogueiro de viagem.

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Entāo, escolhi voltar para o mesmo lugar onde morei e fiz voluntário em 2016: o Hostel Ocean Inn Backpackers Suites (http://www.oceanisland.com). E aqui vai uma dica de ouro: deixe sempre, sempre, sempre, sempre a porta aberta atrás de você.

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Eis algo fundamental para a sobrevivência do nômade digital.

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Se você for fechando as portas por onde passa, seu volunturismo nāo vai durar muito. Como em qualquer meio social, as pessoas se comunicam. Neste caso, via internet e logo logo seu nome estará “na boca do povo“. E aí, meu caro, você começará a receber negativas de pedidos para ser voluntário em qualquer país que for. Entāo, a única saída será por a viola no saco e procurar outra coisa para fazer. Assim como em qualquer profissāo, os contatos e uma sólida rede de network sāo fundamentais no volunturismo. Sua reputaçāo é sua moeda de troca e seu patrimônio mais importante.

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E foi isso que aconteceu comigo em Victoria. Um pouco antes de chegar, eu contatei o gerente geral do Hostel explicando meu desejo de voltar para trabalhar no verāo. A resposta foi imediata: “quando você começa?
Isso nāo cai do céu.

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Quando você está trabalhando ou sendo voluntário, faça-o seja por inteiro, esteja 100% no momento presente. Esqueça que é um nômade digital, um viajante, ou seja lá que for. Durante sua estadia onde você trocará casa e comida por māo de obra e algum dinheiro, você será web designer, psicólogo, garçon, engenheiro, faxineiro, seja o que for. Nāo importa.

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Aliás, eis outro aspecto que me encanta no volunturismo: seja você médico ou faxineiro (por exemplo, no Medicines Sans Frontière – Médicos Sem Fronteiras), nāo há NENHUMA DIFERENÇA. Nāo há hierarquia. Há,sim, respeito absoluto pela pessoa e nāo pelo título. Claro que cada um cumprirá sua funçāo de acordo com suas habilidades e formaçāo, mas isso nāo fará do advogado alguém “acima” do vigia noturno. E tem mais: se perceberem que você traz estes vícios e preconceitos de uma sociedade bastante desigual, você começará a receber “nāo” em suas próximas requisições. Vale inclusive para o programa de voluntários da ONU. Eu já vi pessoas no Canadá que se mostraram preconceituosas e arrogantes serem expulsas e terem 48 horas para deixarem o lugar de onde eram voluntárias. Esta atitude também fecha a porta atrás de você. E cabe também lembrar que, apesar de você ser médico cirurgiāo, nada impede de você ser escalado eventualmente para ser faxineiro.

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Nāo há hierarquia, lembra? E você, provavelmente, saberá pouco sobre faxina industrial (se o lugar for um hospital na África, por exemplo), ou seja: o faxineiro será seu supervisor! Nada mais perfeito para liquidar e eliminar qualquer traço de arrogância e preconceito que tenha sobrado em você. E pode ter certeza: Esta vivência será preciosa para quando você voltar ao hospital onde dá seus plantões no Brasil. Você nunca mais verá a auxiliar de enfermagem da mesma maneira. E, assim, estará contribuindo de forma prática para um mundo um pouco melhor. Bem mais eficiente do que ficar postando frases lindas de Platāo no Facebook.


Alberto Escosteguy

Como trabalhar no verāo em um novo destino, e reduzir seus gastos a ZERO

Primeiro dia de voluntariado remunerado no Ocean Inn Hostel & Suites. Na verdade, como eles acharam que tudo correu bem da outra vez, eles me ofereceram um “full time job”, ou seja um emprego de tempo integral no hostel, em housekeeping. Como já comentei em posts anteriores, o ideal é juntar dinheiro no primeiro mundo e viajar pela Ásia, África e América Latina e, portanto, eu aceitei.

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Minha rotina de trabalho será de 9:30 às 17:00, cinco dias por semana, dois dias livres às terças e quartas. Nāo vou trabalhar no Hostel, mas em uma casa perto daqui, onde eles alugam três suítes para o verāo, e ficarei sozinho lá: limpar 3 suítes de 9:30 às 17:00 hrs. Me parece bom! Como o percurso de 15 minutos entre o Hostel e a casa é grande parte à beira-mar, tenho ido de bicicleta para aproveitas os dias que já estāo esquentando e e já temos sol até à 21:30h.

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Parte do salário será para cobrir a hospedagem no Hostel, embora de valor consideravelmente menor em relaçāo ao que um hóspede paga. Tendo em vista que estamos na alta temporada de verāo, vale a pena. Como o café da manhā e jantar sāo fornecidos pelo Hostel, meus gastos sāo praticamente zero e é onde eu quero chegar neste verāo: gasto = ZERO. Com isso, quando todos estiverem voltando para as escolas,universidades e escritórios em setembro, quando termina o verāo, tendo gastado praticamente o dobro do que gastariam na baixa temporada em uma ilha como a Vancouver Island, eu terei passado o verāo trabalhando em um Hostel e, ao terminar o verāo, recomeço a viajar. Que lugar você me recomenda?

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Se você seguir estas dicas dos nômades digitais, você poderá viajar praticamente de graça e, quando usar suas milhas para sua passagem, sua viagem pode sair literalmente a custo zero.

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No próximo post eu descreverei como está sendo minha rotina de trabalho no Hostel.


Alberto Escosteguy

Que Tipo de Gente Largaria Tudo Para Viajar?

Resposta Rápida: Você.

Brincadeiras à parte, esta pergunta é inevitável quando ouvimos histórias de nômades digitais que decidiram fazer um blog e sair pelo mundo. Há algum tempo atrás, a imagem desse cara era quase uma unanimidade: um cara solteiro, barbudāo, cabelāo de drag, tatuado, fumando maconha à beira da estrada, com uma mochila surrada e pedindo carona. Que coisa mais anos 60 e 70 !

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Se você ainda tem era imagem quando falamos de nômades digitais ou você já passou dos 50 ou vive no seu próprio mundo (nada errado com nenhuma das duas alternativas, ok?).

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A desconstruçāo desta imagem caricata começa pelo nome: nômade DIGITAL. O barbudāo provavelmente acharia que a internet é uma ferramenta de controle das massas vigiada por alguns milionários donos do capital. Já um nômade digital pode ser socialista, capitalista, comunista, ateu, espírita, adepto da seita dos deuses de cabeça azul… o que for. Mas uma coisa que ele nāo é , com certeza: avesso à tecnologia e aos avanços da sociedade contemporânea.

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Outra diferença é que muitos nômades digitais, ao menos no ramo do turismo, gostam, sim, de lucros e dividendos. Eles apenas decidiram nāo ter mais um patrāo e, como sāo pessoas amantes de viagens, escolheram… viajar!  A diferença aqui é que eles trocaram o escritório com ar-condicionado, terno e gravata, (e as mulheres salto alto desconfortável) e reuniões estressantes por lugares menos convencionais. Mas atençāo! Essa lenda urbana de que nós trabalhamos na praia, em um barquinho na paz do oceano ou coisas do tipo, na maioria dos casos, é só LENDA mesmo. A começar que areia e água, acredito eu, nāo sāo muito bons para a saúde do seu computador, smartphone ou tablet. Além disso, as probabilidades termos bons índices de produtividade trabalhando na praia ou durante o concerto do Guns ‘n’ Roses sāo de muito baixos a zero.

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Portanto, o lugar de trabalho do nômade digital sāo os chamados co-working spaces ( já falamos deles em post anterior) que sāo cafés ou espaços especialmente feitos – ou com toda estrutura para – a boa produçāo de trabalho de um nômade digital. Entre outras características, está uma rede wifi muito boa, pois nem todos nós nômades sāo apenas blogueiros de viagem. Muitos têm empregos e trabalhos que nada têm a ver com turismo, tais como programadores e desenvolvedores de games e até arquitetos, o que requer excelente conexão com a internet e relativo silêncio. Assim, aquele papo de largar o escritório para trabalhar em um quiosque à beira da praia ou a beira da piscina com gatas semi-nuas… é só papo mesmo. E nāo se engane: o ritmo e a quantidade de trabalho nāo é menor nem mais leve do que a do engravatadinho. Às vezes pode até ser maior. Além do mais, você precisa ter uma organização do tempo e disciplina de produçāo muito maiores do que o cara que vai para o escritório todos os dias.

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Meu sócio, por exemplo, nāo trabalha fim de semana e feriados. Nada mais justo. O papel dele na sociedade é no back office, organizando, publicando, fazendo contato com mídia etc. E olha que de engravadinho ele nāo tem nada! Já eu, neste momento, estou me preparando para ir para uma cidade no Pacífico na costa oeste canadense amanha de manhā. E agora sā 22:20 e eu estou aqui escrevendo em um co-working space em Calgary, preocupado com a hora que o espaço vai fechar (daqui a meia hora), arrumar minha mala e, ao mesmo tempo, ainda manter boa produçāo e de qualidade. Amanhā, às 6:30 da manhā, eu provavelmente estarei escrevendo de novo, e no aviāo talvez também. Por que? Porque no meu caso, nāo sou eu que escolho a hora de trabalhar. O trabalho que escolhe a hora de eu produzir. Se vejo algo interessante, se tenho um insight de um post que poderia ser interessante (como tive agora), nāo posso pedir para minha secretária agendar uma reuniāo para amanha a fim de discutir uma ideia que tive ou algo do tipo. Nāo há secretária. Nāo há reuniāo (muitos nômades até agendam reuniões por Skype, quando o projeto cresce muito).

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Eu tenho que escrever e fotografar onde eu estiver e a hora que for, pois este é o grande diferencial de um site de viagens. Caso contrário, para que você estaria lendo esses posts? Bastaria você ir ao Google. Mas o Google nāo tem insights às 3 da manhā e compartilha com você.

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Entāo, para finalizar e responder com mais profundidade a pergunta quem larga tudo para viajar? Qualquer um! Você, seu vizinho. seu professor de matemática que tirou sua prova porque te viu colando, a moça que trabalha na sua casa, o amigo do seu filho que você achava que era maconheiro mas verdade era um gênio da informática, o namorado da sua filha que você nem sabia que existia, o porteiro, o cara que escuta hip hop no andar de cima às 10 da noite a todo volume, o gerente do seu banco, o diretor aposentado…enfim. Qualquer um.

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Até eu. E olha que eu nem sou barbudāo nem tenho mochila surrada.


Alberto Escosteguy

Largar tudo e viajar: por que e como? Uma Meta-postagem

Mikonos, Grécia, 2016

As duas perguntas que mais ouço sāo por que eu larguei tudo e decidi ser blogueiro de viagem e como funciona. Bem, se você tem acompanhado nossos posts e está lendo este agora é porque, de alguma forma, há certa identificaçāo com o tema, nem que seja mera curiosidade. Resolvi, entāo, discorrer brevemente sobre o assunto, em uma meta postagem, como diriam os linguistas (meta= falar sobre ou estudar a si próprio).

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As principais indagações que me chegam quando comento que larguei tudo para viajar sāo: “por que?” (e esta é fácil de responder) e “como você faz isso?”

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Vamos tentar responder. Assim como para o “filósofo ser filósofo” é crucial e indispensável que ele tenha tido o chamado “Thauma filosófico” ( o “έκπληξη“), no qual tudo a sua volta passa a ser espantoso, maravilhoso e,sobretudo, lógico. A folha que cai no outono, a brisa no rosto, as perguntas do filho pequeno, o cachorro feliz ao lhe ver, enfim, tudo parece espantoso e merecedor de investigaçāo e observaçāo. Nada mais deixa de ter importância e, como já mencionei, tudo lhe parece muito lógico. A filosofia, como ciência essencialmente matemática, busca a lógica e a explicaçāo para tudo. Até mesmo para o que nāo podemos ver, como tāo bem discorreu Platāo em sua teoria do “mundo das ideias”. Talvez esta tenha sido a razāo de eu ter cursado filosofia na universidade antes de me decidir pela psicologia.

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Pois bem, o viajante passa pelo mesmo processo. Nada mais para ele parece ser naturalizado, usando uma terminologia da psicologia social. Tudo a sua volta merece explicaçāo e investigaçāo. No caso do viajante, porém, adiciona-se um toque de antropologia cultural (caso contrário, nāo haveria a necessidade imperativa de viajar), no qual a cultura passa a ser protagonista. Por exemplo, perguntas como “até que ponto a colonizaçāo de exploraçāo portuguesa realmente influencia a índole e os traços do povo brasileiro?” passam a ser a bússola para novos destinos. O espanto (Thauma) de perceber a sua volta os mesmos padrões se repetindo, aliados a um enorme interesse de conhecer mais sobre determinado tema, o impulsiona a conhecer outros lugares e faz com que o desejo de viajar passe a ser quase como que incontrolável.

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Tomando como exemplo um desses viajantes, ao partir pelo Brasil, em busca de respostas, ele passa a se interessar por aspectos que o turista dificilmente atentaria, como por exemplo, se espantar com um senhor já idoso sentado em uma cadeira de balanço ao lado da porta entreaberta de um casarāo que pela sua simples existência nos dá uma aula de história ao lermos o escrito marcado na parede, ao lado: Século XVII A.D.. O turista acharia interessante, talvez valesse uma foto ou uma selfie e seguiria seu caminho. O viajante se detém ali, observa a cena e começa a se perguntar até que ponto a história da casa influenciaria seu atual inquilino ou vice-versa. Ele vai até o senhor ali sentado (além de tirar a mesma fotografia do turista, claro. Já a selfie...enfim.) e puxa conversa, sentando na calçada ao lado do morador. Em pouco tempo, o viajante já descobriu que a família de Seu Juliano, ou “o Comendador”, como era conhecido, mora ali desde incontáveis geraçōes passadas e após algum tempo ali sentado, o viajante acaba por ser convidado para entrar e tomar um cafezinho para “entreter a prosa”. E nesta prosa, as perguntas que o levaram para a estrada aos poucos começam a ser respondidas.

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Este exemplo é real. Este viajante sou eu. E a casa está às margens do Velho Chico, no interior de Alagoas. Assim, foi desta forma que este viajante percebeu que nāo teria mais como voltar para sua cidade e repetir a mesma rotina todos os dias, pois as perguntas nāo seriam mais respondidas. O Thauma nāo seria satisfeito.

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Passemos à outra pergunta que sempre escuto, aquela do “como você faz isso?”. Uma das formas de responder a esta questāo é você acompanhar nossas postagens e divulgá-las. A partir daí, a dinâmica do nômade digital se completa. Ou seja, sem você, que nos lê agora, o viajante nāo existe, mas esta prosa nos levaria a terremos lacanianos e nāo é isso que queremos! Portanto, é necessário uma parceria e cumplicidade entre aquele que se espantou de tal forma que somente a observaçāo participante (a viagem) poderia trazer alguma resposta ao viajante, com aquele outro que nāo se espanta com a folha que cai no outono mas acha fascinante a ideia de que alguém se espante com isso e tem vontade de descobrir como é tal experiência. Contudo, ele nāo necessita da observaçāo participativa. A leitura e as conversar com quem viaja lhe sacia muitas dúvidas. Talvez ele tenha até mesmo planos de fazer o mesmo por alguns meses, ou durante um fim de semana prolongado ou quem sabe quando se aposentar.

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Talvez, ainda, ele queira que sua filha, ainda pequena, saiba que o mundo nāo é simplesmente ver uma folha caída no chāo em uma tarde de outono e pisar nela ao passar, mas , antes, se perguntar como ela foi parar ali. Mesmo que para isso, nāo seja necessário tornar-se botânica.

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Mas nāo é só isso. É primordial um outro parceiro, alguém em quem se possa confias sem reservas, alguém que você admire e sabe que é mais centrado e mais responsável que você. Alguém que possa que puxar a orelha e até bater na mesa e gritar com você, porque você se espanta tanto com as coisas que esquece das regras ortográficas ao postar seus textos ou resolve ir a um país sem passagem de volta e é deportado. Esta pessoa é fundameantal para o projeto existir. Ele é seu superego, se quisermos uma terminologia freudiana, é a pessoa que faz as coisas acontecerem. Normalmente ele é responsável pela parte técnica do website, da divulgaçāo e das diretrizes do projeto, tais como que destino escolher a partir da audiência que estamos tendo e que tipo de matéria produzir.

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No caso do Mondo Blu este profissional é o Luciano Boiteux que, apesar do nome chique, é uma pessoa maravilhosa e na qual eu confio para assuntos blogueiros e extra-blogueiros. Se o viajante nāo tem este parceiro, é bem provável que o projeto nāo aconteça.

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De forma resumida, estas são as respostas de por que alguém largaria tudo para viajar e como funciona o processo. Encerrando, convidamos-lhe a continuar viajando conosco e, quem sabe, a partir de hoje, procurar observar um pouco mais as folhas caindo ou a brisa que acaricia seu rosto.


Alberto Escosteguy

A vida de um Nômade Digital II : A Outra Face da Moeda

Se você leu o post anterior e tinha o sonho de ser um Digital Nomad, deve estar arrasado ou ao menos muito brabo comigo. Calma! Agora vamos continuar a narrativa de como ser nômade digital.

A parte que eu não te contei ainda é que tudo que escrevi no post anterior é verdade… até a segunda página.
Se você tem realmente o talento de criação por conta própria (até isso pode ser remediado) e adora (muito) viajar, os pesadelos que descrevi anteriormente são reais e, em maior ou menor grau, provavelmente alcançarão você… nos 2 ou 3 primeiros meses.
Depois… supresa ! Tudo começa a ganhar um colorido único e as coisas começam a fazer sentido.
Vamos lá?
Iniciaremos discorrendo sobre o que provalmente acontecerá no “dia seguinte” de cada um dos pontos que mencionei tão dramaticamente no post anterior.

1) Você perderá boa parte do seus amigos…que você descobrirá que, na verdade, jamais foram seus amigos. O termo AMIZADE ganhará para você uma conotação muito diferente, e muitas vezes, você irá acabar por ensinar a seus amigos o real valor de uma amizade.
Amigos passam a ser família, pessoas com as quais você pode contar, seja na sua própria cidade onde ambos moravam ou na China (literalmente). Você compreenderá que um real amigo não depende da geografia ou do tempo para estar a seu lado. Skype, WhatsApp, Facetime, ligações quase de graça para falar por 450 minutos (dos EUA, Canadá, Japão, Índia e Europa) para o celular de qualquer um no Brasil. E, o melhor de tudo: você viajará muito. Muito. Muito!
E como você escolherá sempre a mesma aliança aérea para voar (eu, por exemplo, só vôo de Star Alliance), talvez possa realmente até não ter ido ao aniversário daquela amiga. Mas agora a presenteia com uma passagem tirada com suas muitas milhas acumuladas (A Star Alliance permite que você tire passagens com suas milhas em nome de terceiros) para ela passar 2 semanas ou um mês (ou até mais se possível for) com você em Bali ou em uma praia na Jamaica! Que tal?
Concluindo, os “amigos” que te julgaram, nunca foram, na verdade, amigos. E você não está muito preocupado com eles, pois estará curtindo sua amiga na Jamaica.

2) A solidão será sua companheira fiel.
No princípio.
Aos poucos, você vai se adaptando ao estilo nômade de viver e descobrirá que existem muito mais pessoas assim no mundo do que você pensava. E, assim, seu próximo passo será se filiar a uma organizaçāo de nômades digitais (existe uma inclusive só de brasileiros!) e vocês se encontrarão pelo mundo. Que tal marcar uma reunião em Los Angeles e agendar um churrasco em Trancoso daqui a 2 meses?
Pense comigo: se você é engenheiro, provavelmente seu círculo será formado por outros engenheiros e afins… se você for médico, psicólogo, manicure etc. a mesma coisa. Então, se você for nômade digital, seu círculo será formado por outros nômades digitais. Eu sugiro o grupo https://www.youtubevilla.com e sua página no FB https://www.facebook.com/supernomadfriendsquad.
Ou, se não quiser, fique por dentro dos eventos exclusivamente organizados por e para digital nomads: https://www.flystein.com/digital-nomad-events-2017

3) Concordo que sua família vai levar algum tempo para entender seu modo de vida. E vāo sofrer.
No início.
Tal qual a filha que sai de casa ou o filho que se muda para outra cidade, você foi viajar.
E, convenhamos, se você tem uma filha(o), ela(e) vai sair de casa, casar, montar a família dela(e), ou
então vai continuar solteira(o) e imigrar para Miami. Nāo é muito diferente do nômade.
Com o tempo, tudo se ajeita. E aquela sua tia-avó que antes chorava ao telefone, hoje irá ao chá do clube com as amigas e vai falar cheia de orgulho: “meu sobrinho hoje me ligou de Berlim. Foi bom porque semana que vem ele estará na Namíbia e não sei como vai ser”.

4) Tudo é vivido intensamente e no dia de hoje. Verdade. Pode até bater insegurança no início, mas com o tempo, você se engajará em projetos e trabalhos em países que nem imaginava ir e iniciará outros projetos em áreas que nunca havia pensado. E, assim, rotina é algo que dificilmente fará parte da sua vida.
E o melhor de tudo é que se você precisar de rotina em algum momento, basta se estabilizar em algum canto do planeta por 1 mês, 1 ano ou 10 anos… até enjoar e zarpar de novo. Um nômade digital nāo precisa ser nômade para sempre. Ele pode, inclusive, voltar para casa e passar um tempo por lá, se planejar isso com os sócios, se os tiver.

Agora que contamos o dia seguinte dos pesadelos inicais, vamos elencar algumas vantagens em ser nômade digital.

5) Você nāo precisará investir uma fortuna ou todas as suas economias para inicar um projeto. Se der certo, seu investimento dará cria. Se nāo, o tombo financeiro nāo terá sido tão grande quanto ter aberto uma loja ou uma franquia de lanchonete.

2) Obtendo sucesso, com o tempo, você pode escolher ser o que se chama “semi-nômade. Suponhamos que, após vários anos de viagens ao redor do planeta, descobriu que gosta mesmo é do Brasil e, mais especificamente, daquela pequena cidade à beira-mar no nordeste que você passou 3 meses ano passado. Mas, ao mesmo tempo, você nāo sabe como irá viver sem passar temporadas no bairro boêmio do Marais, em Paris, que você adora de paixão.
Pois bem. Assim como você possui um sócio no Brasil (se tiver) nada impede que faça uma sociedade com um(a) frances(a) em Paris. Assim, você passará, por exemplo, 6 meses no Brasil e 6 meses em Paris. Conheço pelo menos 3 nômades digitais no ramo de design gráfico que vivem em ponte-aéreas assim. Um deles, aliás, por uma razão muito compreensível: se casou com uma canadense, mas não quer mais abrir mão de sua terra natal, a Nova Zelândia. Hoje, ele é cidadão dos 2 países, com 3 filhos canadenses.

3) Você pode trabalhar literalmente onde e quando quiser. Pode ser em um quiosque à beira-mar na Tailândia, em um chalé nos Alpes austríacos, na 5a Avenida em Nova York ou no quintal da sua avó. Seu escritório é o mundo.

4) É mais fácil mudar de ramo de negocio. Se você é um nômade digital trabalhando com projetos de arquitetura (eu conheço uma canadense que é) e se “enche o saco“,  lembre-se: você está no século 21. A maior parte dos cursos universitários hoje são oferecidos online, e você cursa onde estiver. A geração X deve torcer o nariz para tais cursos mas fique sabendo que várias faculdades de universidades como Harvard ou Stanford oferecem formação digital 100% online e têm o mesmo reconhecimento nos EUA e Europa de um curso presencial.
Bem vindo ao século 21 !

5) Você nāo precisa ter compromissos sociais ” obrigatórios”, aqueles do tipo :”que saco! Ele é legalzinho mas é um porre. Temos que ir, se não ele se ofende“. Bem… você terá uma boa desculpa para não ir: fica um pouco distante de ir à casa dele… da Finlândia!

Há muitas outras vantagens e você pode buscar online em profusão.
Por último, já que tanta gente está aderindo a este modo de vida nos 5 continentes… algo de bom deve haver isso, não é?
Se você se animou em trilhar esta carreira, aí vāo alguns bons pontos de partida:

Websites:

Home


http://nomadesdigitais.com
http://academiadenomadesdigitais.com

Theme Overview


http://becomenomad.com
http://www.digitalnomadjobs.com

Home e-Learning


https://www.facebook.com/groups/DigitalNomadsAroundTheWorld/
https://www.facebook.com/nomadlist
https://coursehorse.com/los-angeles

Youtube:
https://www.youtube.com/user/nomadesdigitais
https://www.youtube.com/user/CasalPartiu

Aplicativos:
https://www.rescuetime.com
http://www.xe.com/apps
http://voyagetravelapps.com/trail-wallet

Twitter:
https://twitter.com/nomadlist?lang=en


Alberto Escosteguy