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…E agora uma revisāo de formas de viajar como voluntário

Aproveitando o embalo do post anterior, façamos uma breve revisāo das principais maneiras de viajar como voluntário ou de forma similar.

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Uma nota: existem várias agências e websites que oferecem esta modalidade de viagem, mas atençāo! Muitas delas cobram! E cobram caro. Nāo condeno quem queira esta forma de viagem. Eu, particularmente, nāo vejo razāo em pagar para fazer “volunturismo”, já que há diversas formas de fazê-lo pagando somente a taxa de inscriçāo no site e às vezes ma pequena anuidade (raramente ultrapassa os U$50). Eu entendo o argumento do que preferem pagar milhares de dólares pelo mesmo serviço que poderia ser feito por U$50: a segurança que, se der algo errado, você tem a estrutura de uma agência que você pagou [caro] pela viagem. Tudo bem, faz sentido. Porém, eu faço volunturismo há muito tempo e em muitos lugares, desde centros como Toronto até cidades de 1000 habitantes em total isolamento perto do Pólo Norte e jamais e em momento algum tive nenhum problema.

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Além disso, os sites que vou listar aqui também oferecem suporte. Mas nāo estou dizendo que você nāo deva pagar 4 mil dólares para fazer voluntarismo em uma fazenda colhendo laranjas na Florida e ter um canal de comunicaçāo direto e rápido. Apenas, nāo foi essa a minha escolha.

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Chega de papo e vamos à nossa revisāo.

Woof
(http://wwoof.net)

O pioneiro dos pioneiros, o avô de todo volunturismo rural, nascido na Inglaterra em 1971. Se seu desejo é ser voluntário em fazendas certificadas*, não-certificadas* , “hobby farms*”, sítios e afins, nāo pense nem por 10 segundos: o WOOF é seu lugar! Eles sāo especializados EXCLUSIVAMENTE em turismo voluntário RIURAL. E o acervo de oportunidades deles impressiona. O ponto negativo, para alguns, é que eles cresceram tanto que se sub-dividiram por países: cada país possui sua própria rede WOOF e cada uma possui sua própria taxa de anuidade e próprio cadastro. Por outro lado, se seu objetivo é turismo rural, me parece que se deter em um país apenas é uma boa ideia, uma vez que você vai aprender técnicas, manejos etc. muito específicos de determinado setor agrícola, desde o sítio do Mr. Smith com uma pequena horta até empresas de grande porte voltadas para exportaçāo.

*Vocabulário:

Fazenda certificada: possuem certificado governamental de produçāo agrícola específica, como por exemplo, cultivo de produtos exclusivamente orgânicos. Normalmente estas fazendas, por serem pessoas jurídicas com fins lucrativos, exigem bastante de você. Em contra partida, se seu objetivo é seguir por este ramo de atividade, é como fazer uma formaçāo sem pagar nada.

Fazenda nāo-certificada: nāo possuem certificado governamental mas ainda assim têm (ou podem ter) objetivo de lucro, o que fará com que o trabalho seja igualmente disciplinado e exigente. Como nāo sāo certificadas, nāo há o mesmo compromisso com níveis de qualidade exigidos por governos e compradores externos mas isso nāo significa que nāo tenham produtos bons. Aqui você terá mais liberdade, mas ainda assim será bastante exigido a aprenderá bastante.

Hobby Farms: sāo fazendas nāo certificadas e NĀO possuem fins comerciais, isto é, eles podem até vender o que produzem, mas o dono pode ser o Monsieur Morin que se aposentou e resolveu morar na fazenda ou ainda um grupo de hippies e “galera alternativa” que se reuniu para formar uma comunidade “paz e amor”. Esta opçāo é para quem quer se retirar um pouco do mundo urbano e relaxar, mas ainda ser útil de alguma forma. Sua ajuda será mais como “amigo”, e o ambiente é bem mais “relax”.

Eis alguns WOOFs que talvez te interesse:

Woof Brasil – é bem recente e está aprendendo com o WOOF internacional mas possui um excelente acervo de fazendas e sāo, obviamente, bem confiáveis.

http://www.wwoofbrazil.com/afiliarse.php

Woof USA – (https://wwoofusa.org) já estāo bem estruturados e possuem várias opções nos 50 estados. Há muitas fazendas certificadas e de grande porte, como uma que é exportadora de abacaxi, no Hawaii.
VISTO DE TRABALHO NECESSÁRIO PARA FAZENDAS CERTIFICADAS !

Woof Canadá- (https://wwoof.ca) estrutura muito profissional, com muitas opções em todas as províncias. Assim como nos EUA, muita oferta de fazendas certificadas. No Québec, é extremamente aconselhável saber falar francês, já que muitos fazendeiros sāo unilingues, ou seja, só falam francês.
VISTO DE TRABALHO NECESSÁRIO PARA FAZENDAS CERTIFICADAS !

Woof Austrália (http://www.wwoof.com.au) em termos de visual e facilidade de busca, considero o melhor site de toda rede. A Austrália se especializou em fazendas de cultivo de produtos orgânicos, embora você encontre outras modalidades.

Woof França (https://www.wwoof.fr) especializada em “fazendas biológicas” como eles chamam. Sāo fazendas que produzem produtos orgânicos. Necessário compreender e ter ao menos nível básico de francês.

Woof Israel (http://wwoof.org.il/farms) Um dos Woofs mais interessantes e está na minha lista de viagem! Israel possui um acervo impressionantemente grande e dividem as fazendas em modalidades: vinículas, cuidados de animais enfermos e/ou para adoçāo,produçāo de queijo,orquidários e os fascinantes KIbbutzim, que sāo comunidades criadas para povoamento e produçāo agrícola quando da fundaçā do Estado de Israel, em 1948. Existem inclusive Kibbutzim brasileiros! Nāo precisa falar hebraico, embora em muitos lugares sāo oferecidos cursos gratuitos e o mais bacana: você pode escolher ficar desde apenas 7 dias até ANOS ! (claro que existe um trâmite migratório para tal).
Há uma fazenda produtora e mel na Galiléia que produz e cuida das abelhas seguindo a tradiçāo do tempo de Jesus ! (http://wwoof.org.il/farms/303).
Eu acho simplesmente fascinante !

Workaway
( https://www.workaway.info)
Criado nos anos 90 no Hawaii, o Workaway também começou como uma iniciativa e turismo rural. Com o tempo, surgiu a ideia de expandir a proposta para zonas urbanas e fundou-se a primeira organizaçāo de volunturismo urbano do planeta. A novidade fez tanto sucesso que hoje o Workaway, apesar de possuir um grande acervo rural, oferece voluntariados dos mais diversos tipos, desde Au Pair, motorista até desenvolvedor de blog e escritor!
Os lugares podem ser tanto em um volarejo remoto na China ou no centro de Manhattan.
Ao contrário do Woof, o Workaway concentra todos os países em um único site, com uma única taxa anual.
Eles cresceram tanto que possuem uma fundaçāo (https://www.workawayfoundation.org) e uma TV! (https://www.workaway.tv).

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Eu já utilizei várias vezes o WORKAWAY e acho excelente ! Recomendo!

HelpX
(https://www.helpx.net)
Da mesma forma que o Workaway, concentra todo acervo em um só site com taxa anual única. Seu forte é o voluntariado URBANO, sobretudo no ramo de hospedagem, como Hostels, hotéis, pousadas e Resorts, mas possui igualmente fazendas, escritórios etc.

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Estes sāo os 3 principais site de volunturismo. Agora é escolher o seu (ou escolher os 3, como eu !) e cair no mundo!


Alberto Escosteguy

A Rotina de Trabalho Voluntário Remunerado

Como disse no post anterior, verão no hemisfério norte é sinônimo de trabalho.

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Uma das opções é o volunturismo remunerado. À exceçāo de alguns poucos lugares, na maioria das vezes é necessário visto de trabalho para se engajar neste tipo de aventura. Contudo, há lugares onde você chega e começa a trabalhar e ninguém pergunta muita coisa, nāo. Um lugar conhecido por isso sāo as ilhas do Hawaii, sobretudo os Hostels de surfistas nas ilhas menores fora de Oahu, nas fazendas de abacaxi e nas confecções de pranchas artesanais.

No Canadá, o mesmo pode ser possível no círculo polar ártico, como em B&B em Inuvik ou em resorts perto de Yellowknife. Em grandes centros, porém, é bastante improvável. Mas atençāo! Esta regra serve para volunturismo REMUNERADO. Para voluntariado nāo-remunerado, você pode se candidatar para qualquer lugar, ao menos nos EUA e Canadá, enquanto seu visto estiver válido. Mas um conselho: JAMAIS fique irregular por aqui. Se você estourar o tempo do seu visto, qualquer que seja ele, você entra para uma “black list” e terá muitos problemas para retornar aos EUA e/ou Canadá, pois as duas imigrações cruzam os dados.

Pois bem… vamos falar da rotina do trabalho voluntário. Eu estou em Victoria, capital de British Columbia, no oeste do Canadá. A cidade é bem pequena, com cerca de 80 mil habitantes, o que faz com seja ideal para trabalhar no verāo, pois apesar dos turistas, ela continua tranqüila e muito segura.

O trabalho que eu escolhi foi oferecido pelo Hostel Ocean Inn Backpackers & Suites (http://www.oceanisland.com/work) e consiste em arrumar camas, varrer chāo etc.  Sāo 4 horas e meia de trabalho, 4 dias por semana. Assim, você nāo só tem o dia todo ainda livre (lembre que no verão só anoitece lá pelas 22:30 aqui) como tem 3 dias de folga por semana, normalmente em sequência, para que você tenha oportunidade de explorar a ilha, ir para Vancouver ou para Seattle, nos Estados Unidos, que fica a menos de 40 minutos de ferry boat (balsa) de Victoria. A hospedagem é descontada em CAN20 por dia. No total, neste caso, você tem 300 dólares por mês em dinheiro. Eu aconselho esta modalidade se você planeja apenas NĀO GASTAR NADA. Pode até juntar algum dinheiro, mas pouco. Isto porque salário é o piso mínimo, ou seja, CAN10,85 por hora adicionado de % de férias e descanço remunerado. Além disso, você recebe café da manhā e jantar, sem descontar de seu salário.

Outra opçāo é optar por full time job, isto é, 8 horas por dia e 2 folgas semanais. O salário por hora é o mesmo do anterior mas, por serem mais horas, obviamente você ganha mais. O café da manhā e o jantar continuam sendo oferecidos sem custo e a hospedagem é descontada da mesma forma: CAD20 por dia. Neste caso, o objetivo nāo é turismo, mas juntar dinheiro mesmo. Você terá liquido por volta de CAD1000 por mês, sendo seu único gasto o almoço, se você quiser juntar mesmo. Em 4 meses você juntou 4 mil dólares, o que te permite passar um ótimo verāo no hemisfério sul. E se você tiver acumulado milhas sua passagem aérea sairá de graça ou bem barata.

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Existem outros trabalhos, exigindo maior qualificaçāo e para quem entende de computadores pode conseguir ate CAD 3 mil por mês. Isso renderá CAD 12 mil em 4 meses. Mas como neste caso você paga todos os seus gastos, calcule líquido na sua conta por volta de CAD 1,600/ mês.


Alberto Escosteguy

De volta ao “Volunturismo” – Regra de Ouro: Jamais Feche Portas Que se Abriram Para Você

Após a linda viagem sobrevoando os picos nevados das montanhas rochosas, voltei a British Columbia (BC), no extremo oeste do Canadá, desta vez para Victoria, na Ilha de Vancouver.

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Eu já havia morado alguns meses aqui e, pessoalmente, acredito ser esta a melhor cidade do país para se morar, tanto é que voltei. Falaremos as razões em posts futuros.

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Meu retorno se deu por duas razões: eu adoro a costa oeste e o dinheiro estava acabando.

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Isto significava ter que voltar a trabalhar em algum lugar a fim de juntar mais dólares para poder botar o pé na estrada de novo. Esta é a vida de um blogueiro de viagem.

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Entāo, escolhi voltar para o mesmo lugar onde morei e fiz voluntário em 2016: o Hostel Ocean Inn Backpackers Suites (http://www.oceanisland.com). E aqui vai uma dica de ouro: deixe sempre, sempre, sempre, sempre a porta aberta atrás de você.

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Eis algo fundamental para a sobrevivência do nômade digital.

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Se você for fechando as portas por onde passa, seu volunturismo nāo vai durar muito. Como em qualquer meio social, as pessoas se comunicam. Neste caso, via internet e logo logo seu nome estará “na boca do povo“. E aí, meu caro, você começará a receber negativas de pedidos para ser voluntário em qualquer país que for. Entāo, a única saída será por a viola no saco e procurar outra coisa para fazer. Assim como em qualquer profissāo, os contatos e uma sólida rede de network sāo fundamentais no volunturismo. Sua reputaçāo é sua moeda de troca e seu patrimônio mais importante.

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E foi isso que aconteceu comigo em Victoria. Um pouco antes de chegar, eu contatei o gerente geral do Hostel explicando meu desejo de voltar para trabalhar no verāo. A resposta foi imediata: “quando você começa?
Isso nāo cai do céu.

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Quando você está trabalhando ou sendo voluntário, faça-o seja por inteiro, esteja 100% no momento presente. Esqueça que é um nômade digital, um viajante, ou seja lá que for. Durante sua estadia onde você trocará casa e comida por māo de obra e algum dinheiro, você será web designer, psicólogo, garçon, engenheiro, faxineiro, seja o que for. Nāo importa.

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Aliás, eis outro aspecto que me encanta no volunturismo: seja você médico ou faxineiro (por exemplo, no Medicines Sans Frontière – Médicos Sem Fronteiras), nāo há NENHUMA DIFERENÇA. Nāo há hierarquia. Há,sim, respeito absoluto pela pessoa e nāo pelo título. Claro que cada um cumprirá sua funçāo de acordo com suas habilidades e formaçāo, mas isso nāo fará do advogado alguém “acima” do vigia noturno. E tem mais: se perceberem que você traz estes vícios e preconceitos de uma sociedade bastante desigual, você começará a receber “nāo” em suas próximas requisições. Vale inclusive para o programa de voluntários da ONU. Eu já vi pessoas no Canadá que se mostraram preconceituosas e arrogantes serem expulsas e terem 48 horas para deixarem o lugar de onde eram voluntárias. Esta atitude também fecha a porta atrás de você. E cabe também lembrar que, apesar de você ser médico cirurgiāo, nada impede de você ser escalado eventualmente para ser faxineiro.

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Nāo há hierarquia, lembra? E você, provavelmente, saberá pouco sobre faxina industrial (se o lugar for um hospital na África, por exemplo), ou seja: o faxineiro será seu supervisor! Nada mais perfeito para liquidar e eliminar qualquer traço de arrogância e preconceito que tenha sobrado em você. E pode ter certeza: Esta vivência será preciosa para quando você voltar ao hospital onde dá seus plantões no Brasil. Você nunca mais verá a auxiliar de enfermagem da mesma maneira. E, assim, estará contribuindo de forma prática para um mundo um pouco melhor. Bem mais eficiente do que ficar postando frases lindas de Platāo no Facebook.


Alberto Escosteguy